retirada
da vesícula, modernas técnicas cirúrgicas tornam
essa uma medida bastante simples.
A vesícula é um dos órgãos que
compõem o aparelho digestivo do corpo humano. Ele tem a função
de armazenar a bílis, que é produzido no fígado.
“O órgão expulsa a bílis e auxilia na digestão
das gorduras, principalmente”, esclarece o cirurgião Mário
Toscano.
Por seu lado, a vesícula com cálculo não
executa corretamente a sua função. “Assim que ela
é estimulada, esses cálculos começam a se movimentar
dentro da vesícula, às vezes são expelidas, promovendo
uma inflamação, um processo obstrutivo, causando dor,
vontade de vomitar, empachamento e vários outros sintomas”,
salienta o médico.
As pedras na vesícula atingem, principalmente, as mulheres
por questões hormonais, mas não é exclusividade
do sexo frágil. A proporção é de quatro
mulheres para cada homem na faixa etária reprodutiva, mas com
a idade, esta proporção vai diminuindo, chegando a quase
igualar entre os idosos.
Embora não se saiba com certeza quais são as
causas do distúrbio, o certo é que são mais freqüentes
em mulheres com mais de 40 anos, que tiveram muitos filhos, com excesso
de peso e diabéticas.
Alimentos gordurosos
Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Eduardo Akaishi,
as pedras que se depositam na vesícula normalmente são
formadas pela desproporção dos componentes da bile (líquido
produzido pelo fígado, que auxilia na digestão dos alimentos,
principalmente dos gordurosos), como o colesterol, fosfolipídeos
e sais biliares.
“Há dois tipos de pedras: pigmentadas (bilirrubinas,
de coloração negra) e as de colesterol (coloração
amarelada), que são mais comuns, manifestando-se em cerca de
80% dos casos”, explica Akaishi, fazendo questão de ressaltar
que a formação do cálculo de colesterol não
tem nenhuma ligação com as taxas de colesterol no sangue.
A maioria dos portadores da pedra na vesícula não
faz idéia de que possui o problema, pois 80% dos doentes não
têm nenhum tipo de sintoma. Já os outros 20% podem apresentar
dor, vômito e icterícia (pele e olhos amarelados como na
hepatite).
“A ingestão de alimentos gordurosos pode desencadear
as crises dolorosas em quem é portador de pedra na vesícula,
mas não tem nenhuma influência na formação
das pedras”, esclarece o especialista.
Alguns fatores favorecem a formação de pedras
como o excesso de peso e de calorias ingeridas, predisposição
genética, idade, paridade, longos períodos de jejum e
pessoas que passaram por cirurgia do intestino ou estômago.
Cirurgias em 90% dos casos
É importante lembrar que, embora seja raro, o câncer
de vesícula biliar pode ocorrer em pacientes que sofrem de colelitíase.
De acordo com os especialistas, não há comprovação
científica de que as pedras possam induzir ao câncer.
Então, quando se retira a vesícula é importante
observar o exame microscópico da vesícula para assegurar
que não existe nenhum tipo de lesão ou algum tumor já
instalado.
“O tratamento pode ser cirúrgico ou com medicamentos
que ajudam a dissolver as pedras, sendo o último procedimento
atualmente em desuso pela pouca eficiência”, afirma Akaishi.
A melhor forma de tratamento é a cirurgia em que a vesícula
é retirada junto com as pedras.
O procedimento é rápido, varia de 30 a 60 minutos,
e no outro dia o paciente tem alta hospitalar. O único cuidado
nos primeiros dias é com a alimentação que deve
ser controlada com refeições leves.
Como a vesícula biliar armazena a bile e a joga no intestino
somente quando há necessidade, com a sua retirada o próprio
fígado se encarrega de enviar o líquido digestivo.
Mesmo com o tratamento avançado, as pessoas podem prevenir
as complicações da doença. As principais atitudes
são não exceder o peso, evitar longos períodos
de jejum, realizar exames de ultra-sonografia abdominal sempre que necessário
e consultar um especialista após os 40 anos de idade, principalmente
se há casos de pedra na vesícula na família."